u trabalho numa rádio que, não sendo marcadamente popular, tem uma base de ouvintes de idade já um pouco avançada. Mais do que uma rádio, a estação onde trabalho - à semelhança de outras pelo país fora - não se limita a debitar discos. Privilegia a interacção com o público e são vários os espaços onde o ouvinte é quem manda.
Como já foi dito, esta característica obriga a que os comunicadores sejam excelentes naquilo que fazem. Que saibam escutar, que saibam compreender e tolerar os excessos das "dedicatórias" em antena que, por vezes, são mais que muitas. Mas se são mais que muitas isso é bom sinal. Isso diz-nos que a rádio não é só uma rádio, mas sim uma grande família.
Embora não faça animação (estou ligado à informação), não tenho qualquer problema em admitir que, num futuro próximo, me sentiria à vontade para conduzir um programa de discos pedidos. Quem trabalha em rádio e quem tem "aquela paixão" sabe bem qual é a sensação de saber que está a ser ouvido, que há alguém do outro lado atento à emissão, ansiosa por entrar em directo, a reclamar que está "em linha há imenso tempo", coisa assim. É um papel digníssimo.
Há que dar valor à palavra e aos comunicadores.
Esperava por um post assim. Vindo de alguém que tem essa experiência também.
Já tive o mesmo tipo de experiência numa rádio generalista em que as manhãs eram assim e curiosamente, em apenas 6 meses de emissão desse programa, onde imperava a musica Portuguesa e a interacção com os ouvintes, a minha rádio da altura passou a liderar audiências na zona, quebrando a liderança de outras duas rádios.
A moral desta história é de que não há rádios foleiras, azeiteiras ou pimbas. Existem sim, realidades e estilos diferentes e se nos pusermos no lugar ed um ouvinte que ouve uma rádio dessas achar muito foleiras as rádios que não passam musica Portuguesa (Porque não sabem Inglês) e que é mesmo necessário haver rádios com interacção com os ouvintes, mesmo que só seja conversa "da treta". Há muita gente só que vê na rádio uma companhia. Conheço até casos em que locutores receberam heranças devido ao papel que assumiram perante ouvintes.
Há a questão dos gostos. Não se pode gostar de tudo e muitas vezes o que é compreendido como Pimba, é mal visto e sinal de ser saloio. Isso não é assim. Tudo tem uma razão de ser e as rádios populares sempre serão a mais valia do radialismo em Portugal e acho que todos deveríam passar por uma experiência dessas, pelo menos durante um ano para falar com exactidão e crescer como profissional e principalmente como comunicador.
Confesso que fiquei apreensivo quando o tópico foi lançado e de imediato colocar avisos de como devería progredir este tópico.